PHCBR Entrevista: Caio Weber, vocalista da Cefa!

 

Caio Weber é vocalista de uma das bandas mais promissoras da nossa cena independente, a Cefa. Tivemos o prazer de conversar e saber um pouco mais sobre a sua carreira e a sua banda.

PHCBR: A Cefa agora tem 6 anos de existência. Começa contando um pouco da história da banda. Como era no começo a mentalidade de vocês e como você vê agora, com todas as mudanças e bagagem que vocês adquiriram.

 Caio: Começamos a banda com 15 anos e obviamente pensávamos como adolescentes. Embora a Cefa tenha 6 anos já, eu considero sua existência mais real a partir de 2012 que é quando nos reunimos, depois de um hiato, para a gravação do primeiro EP. Ainda nessa época éramos muito novos, existia um sentimento de “aprovação” digno de adolescentes formando uma banda, não sabíamos ao certo quem éramos e qual tipo de público queríamos atingir. Bem, 3 anos depois as coisas mudaram, passamos por muita coisa que nos fizeram amadurecer como pessoas e isso reflete diretamente na nossa música. Pela primeira vez fizemos canções primeiramente, pra nós mesmos. Se as pessoas se identificarem com elas, ótimo! Missão cumprida, mas, não ficamos muito presos a formulas e estereótipos de composição como no EP. Esse novo álbum retrata exatamente o momento em que a banda se encontra.

PHCBR: Você também toca guitarra e bateria. Sabe mais algum instrumento? Como isso agrega na questão das composições? Fala pra gente como costuma rolar o processo criativo da Cefa.

Caio: Meu instrumento é de fato a bateria, eu toco desde os 10 anos e é seguramente uma das minhas maiores paixões. Nos outros instrumentos eu apenas engano, estou longe de ser um bom guitarrista, mas, sem dúvidas, esse meu conhecimento básico em outros instrumentos ajuda muito na hora de compor.  A princípio as músicas do novo álbum surgiram da seguinte maneira, o Lucas (nosso ex-guitarrista) havia feito várias harmonias ou até mesmo arranjos, eu escrevia a letra e encaixava uma melodia nesses esboços dele. Quando ele deixou a banda, tivemos que adaptar várias coisas, pois, a princípio, eu assumi a guitarra e com isso praticamente todos os arranjos foram modificados.

PHCBR: Agora estamos bem próximos do lançamento do cd. Vejo que vocês estão bem confiantes do resultado final. Durante o processo existiu alguns fatores que vocês tiveram que se adaptar, o que já foi exposto pela própria banda. Conta pra gente como foram as coisas do momento em que o conceito de álbum se iniciou até este momento em que poderemos conferir o resultado.

Caio: Foi um processo muito demorado. A ideia desse álbum vem sendo trabalhada desde que terminamos o EP e durante todo esse tempo houveram situações que influenciaram diretamente no resultado final. O falecimento do Rapha, o momento em que fui hospitalizado, a troca de integrantes, os problemas em geral pelos quais a banda passou, tudo isso tornou as coisas mais demoradas e também mais intensas.  O álbum é um resumo, por vezes romantizado, de quem éramos e em quem nos tornamos, sobre o que aprendemos e sentimos com nossas perdas e principalmente, um retrato fiel do amor que nos manteve vivos até aqui.

PHCBR: Fora a Cefa, existe seu projeto solo, o Monollogo. Como você vê o projeto hoje em dia e quais os planos?

Caio: Monollogo é uma necessidade. Quando comecei a compor coisas que não se encaixavam no som que a Cefa fazia surgiu esse projeto que nada mais é, do que uma válvula de escape criativa. Na verdade, quem me convenceu a gravá-lo foi o Slu, atualmente tenho planos de lançar mais um EP mas no momento a Cefa tem tomado todo meu tempo. 

PHCBR: Atualmente vocês têm fãs em todo o Brasil. Qual a percepção em relação a cena de rock alternativo? Do começo da sua vivência nela até então, o que você acha que mudou, tanto positivamente quanto negativamente? Você acha que ela caminha de uma forma para que tenha mais espaço e seja mais justa para as bandas iniciantes?

Caio: Desde que comecei a ir em shows, lá em 2007, a cena mudou muito. Acredito que é uma questão de tempo pra que o Rock Alternativo volte a ter mais popularidade, isso não passa de um ciclo.

PHCBRE: No EP víamos a Cefa com a sonoridade que costumamos denominar post-hardcore. Tinha todos os elementos que relacionamos a ela. Quando saiu a música "Caleídoscópio", já era visível uma mudança. Eu ainda classificaria como post-hardcore, mas já dá pra sentir que vocês buscavam uma nova proposta, sem os berros e aqueles clichês que as bandas atuais acabam reproduzindo. O que pesou nesta mudança? Sei que como músicos, é meio que uma limitação se prender a um estilo, mas você classificaria a Cefa em um gênero específico? Como você explicaria o som de vocês pra quem nunca ouviu? 

Eu diria que são história reais contadas através de versos e acordes, feitas da maneira mais sincera possível.  Não sei dizer se nos encaixamos em um gênero, na verdade, não estamos nem um pouco preocupados com isso, nos rotulem como quiserem, somos quem somos.
 
 
PHCBR: Em relação à temática do novo álbum, eu tinha lido ou ouvido em algum lugar que algumas letras seriam sobre o acidente que você sofreu, as coisas que você passou na readaptação, a perda do Rafa. Aí foi anunciado o título, "O fantástico azul ao longe", conforme o explicado por vocês, representa a sensação do infinito. Podemos esperar daí uma mensagem positiva, sobre superação? Em relação a isso também noto que você tem uma certa fixação em relação ao mar, pelos títulos, as fotos, o clipe de "Voluta Serenita", tattoo de marinheiro haha. Pode ser viagem minha, mas rola isso? 

Caio: É, como eu já disse acima, é um retrato fiel de todas essas coisas pelas quais passamos e sim, há uma mensagem de esperança muito forte ali. Quanto a toda essa temática relacionado ao mar, acho que é algo que sempre me chamou atenção. Certa vez me disseram que a mesma definição que cada um dá ao mar, pode ser usada também para definir o amor. Lembro que minha resposta quanto a isso foi “Ele é imenso e perigoso”.  Além disso, o mar pode representar várias coisas, inclusive a própria vida. Somos como marinheiros navegando por aí, buscando sonhos e um lugar seguro para chamarmos de lar. 

PHCBR: Finalizando, não poderia deixar de dar os parabéns pelo trabalho de vocês. Agradecemos pelo seu tempo e, pessoalmente, foi mal não conseguir fazer a entrevista antes. Essa entrevista está sendo praticamente exigida pelos nossos leitores. Vemos vocês como uma banda de sucesso que só tende a crescer. Deixa uma mensagem pra galera.

Caio: Agradeço pelo espaço e por toda a consideração. Pra galera que nos acompanha quero dizer que dia 22.09 vocês poderão conferir o melhor trabalho que já produzimos até aqui, esperamos que gostem e obrigado por todo carinho. Muito amor!

  
- Rodrigo Heshiki
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O álbum de estreia da Cefa, O Fantástico Azul ao Longe, será lançado oficialmente no dia 22 de Setembro. O single de estreia "Insônia" já foi disponibilizado pela banda, ouça logo abaixo:



Ouça no Spotify o EP,  Os Dias Que Antecederam as Rosas, lançado em 2012:



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