Review: The Story So Far em São Paulo

                                           
No dia 30/01/2016, a banda californiana de pop punk The Story So Far, se apresentou em São Paulo, na Clash Club. Eu estive por lá e vou contar pra vocês um pouquinho dessa experiência surreal do último sábado!

Com luzes avermelhadas, a casa, que estava repleta de gerações do pop punk - desde os famosos 'blinkers', com suas meias na canela e bermudas caque, passando pelos mais alternativos, de calça skinny e óculos de aro grosso, até a famosa geração Tumblr, com suas bermudas largas, camisetas cortadas e bonés para trás - foi tomada por uma energia que há muito, muito tempo, eu não vinha a sentir em um show. Era contagiante, caloroso, intenso. Todos ali unidos pelo mesmo motivo, pelo amor à banda que se apresentava pela primeira vez em solo brasileiro.

Empty Space foi a música escolhida para a abertura, e já em seus primeiros segundos, era evidente a surpresa - e a excitação - da banda, quando um coro cobria a voz do vocalista Parker Cannon quase que completamente.

Não demorou muito até que os famosos stagedives começassem, e entre sorrisos e gestos 'chamando o público', o vocalista soltasse comentários como "this is fucking insane!" "you guys are wild, man!".

Nerve seguiu-se e, com ela, todo o meu fervor foi ao extremo. No vídeo abaixo, é possível me encontrar em meio aos muitos garotos, seja no crowdsurfing ou pulando no palco. A empolgação tomou conta da casa, com uma série de moshs sendo dados ao mesmo tempo - e, inclusive, gerando alguns acidentes no trajeto, como um belo hematoma no meu ombro. Em minha humilde opinião, a melhor música da noite.



O show seguiu em energia máxima, com direito a coro em todas as músicas, fãs dividindo o microfone com a banda (que pareceu não se importar e, arrisco dizer, até mesmo gostar disso) e incontáveis stagedives. O destaque da noite ficou por conta de The Glass, onde Cannon pediu aos fãs que abrissem o famoso circle pit - e que roda! Em alguns momentos, me vi no meio da pancadaria e, entre socos e pontapés, escalando os ombros de garotos para retornar ao palco e mais uma vez me jogar em meio à multidão. 

A energia era tamanha que, em determinado momento, ouviu-se do palco um ofegante "Estou cansado! Como vocês não se cansam?!", por parte de Parker que, preciso ressaltar, demonstrou-se uma pessoa extremamente simpática e humilde durante todo o tempo, seja dando "high-fives" nos que se arriscavam sobre a cabeça dos demais ou dançando, convidando a todos que dividissem aquele momento único com ele. 

Em incontáveis músicas, a vibe era tão fora do comum, que mesmo o vocalista esquecia-se de seu microfone, para juntar-se ao coro de vozes roucas e dedos apontando para o alto, naquele misto de ódio, mágoa, paixão e revolta que só as músicas da banda conseguem despertar em nós.

                                                 
                                                         
All Wrong, Bad Luck, Distaste e Solo seguiram - as duas últimas levando o público ao total êxtase a cada lyric. Seguidas pela clássica 680 South, Face Value e, finalmente, Quicksand! Sim, aquela que todos esperavam ansiosamente.



O Clash desabou. É a única forma com que consigo descrever os pouco mais de dois minutos em que, todos e absolutamente todos os presentes, pulavam metros do chão, gritavam, trocavam socos, empurrões e ponta-pés. O palco ficou impossível - qualquer um que arriscava um dive, acabava no chão, tendo em vista que todos estavam perdidos demais nos próprios sentimentos para se atentar em segurar alguém. Em plenos pulmões, gritamos o tão esperado "i'm trying hard, real hard, everyday, not to lose my temper!", com toda a emoção que compartilhávamos entre 800, 900 pessoas dentro da casa. A banda, à essa altura, já estava tão fora de si quanto cada um naquela plateia.

Roam veio para terminar o furacão que Quicksand começou. Sequer me lembro de como cheguei ao palco, não consigo ter uma imagem clara de onde caí ou de todo o feeling em que transbordei enquanto, literalmente, berrava cada trecho. Mais que uma batida rápida e lyrics reais, essa música é pessoal. Ela corta e sangra de um jeito único, e te faz perder os sentidos em tanto significado. Acho que todos os presentes ali irão concordar comigo.

Com um discurso de agradecimento e do quão incrível era um show em um país em que nunca estiveram antes fazê-los sentir tão em casa, a banda se retirou do palco, apenas para retornar após alguns minutos para o bis, que não estava previsto para o setlist da noite.

High Regard  foi a escolhida para encerrar um dos shows mais memoráveis na cidade de São Paulo. Eu poderia discorrer sobre a forma como tudo aconteceu, mas deixo vocês entenderem por si só, no vídeo abaixo (sim, olha eu no palco de novo).




Setlist:
Empty Space
Nerve
Things I Can't Change
The Glass
Heavy Gloom
All Wrong
Bad Luck
Distaste
Solo
680 South
Face Value
Quicksand
Framework
Roam
High Regard

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About May (@deadlycorpse)

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