REVIEW: Bring Me The Horizon em São Paulo


Cinco anos após sua primeira vinda ao Brasil, a banda inglesa Bring Me The Horizon retornou às terras paulistas para mais duas apresentações no Carioca Club, em 04 e 05 de março. E eu compareci  neste sábado, para matar um pouquinho da saudade que 2011 deixou.

A fila era, com exceção a grandes festivais, uma das maiores filas de show que eu já vi em toda a minha vida: iniciando-se na porta da casa, subindo a Cardeal Arco Verde inteira e dobrando a esquina, já no Largo da Batata.
Ouvi relatos de pessoas que dormiram na porta da casa, outras que haviam chego às 6AM - mesmo que o show apenas tivesse início às 20h.

As portas abriram às 17hrs e a casa, que estava em sua lotação máxima, tornou-se um verdadeiro inferno na terra: estupidamente quente, com má ventilação, repleta de pessoas sem camisa e/ou apenas de sutiã, que aguardavam o início da banda de abertura.

Confesso que só me dispus a entrar após às 19h30, pois a organização já havia nos avisado do quão quente estava lá dentro. E, mesmo com meros trinta minutos ao início do show, confesso que ficar lá dentro foi o maior desafio da noite.

Após alguns minutos de atraso, a banda finalmente subiu ao palco e o público foi a loucura. Eram gritos, pulos, urros e palavrões sendo lançados ao vento, com uma multidão suada em total êxtase.

Doomed foi a abertura escolhida, e já era-se completamente impossível ouvir a voz do vocalista Oliver Sykes, que parecia se perder sob a multidão. O coro cobria tanto voz quanto playback, o que trouxe uma energia completamente diferente ao show.
Com a certeira Happy Song, aí sim, meus amigos, a casa foi abaixo. Aos berros de "S P I R I T", eu sequer consigo descrever todo aquele turbilhão de sentimentos. Cantávamos em coro, pulávamos tão alto quanto conseguíamos, suávamos feito sei lá o quê.

O show seguiu-se com energia total com Go The Hell, For Heavens Sake, The House Of Wolves e Chelsea Smile (com direito a todos sentando no chão, bem 2011 feelings).

O single Throne veio em seguida, que seguiu com tanta energia quanto se é possível, com direito a mini circle pit, camisetas rodando o ar e afins.
Arrisco dizer que o show todo foi extremamente conciso quando falamos do público, que não pareceu perder a animação e a energia por um segundo sequer. Da primeira à última música, mesmo em um calor quase que insuportável, todos mantiveram-se quase que pegando fogo.

Shadow Moses foi uma das músicas a arrepiar, quando ouvimos cerca de 1200 pessoas gritando "THIS IS SEMPITERNAL!" juntas, pulando, com seus braços ao alto. E, preciso destacar, foi uma das poucas músicas em que consegui ouvir um pouco da voz do Oliver.

Um dos destaques da noite foi Sleepwalking, que tornou-se um hino gritado em plenos pulmões. A voz do público cobriu completamente a voz do vocalista e, quando olhava para os lados, não eram raras pessoas chorando ou com os olhos fechados, enquanto esvaiam-se em toda a dor que essa música pode nos permitir sentir.

E então, a tão esperada True Friends veio. Finalmente ouvíamos o vocalista. Finalmente um pouco menos de playback, um pouco menos da voz do Jordan e um pouco mais de Oliver Sykes. Esse foi um dos momentos mais especiais da noite, na minha humilde opinião. Talvez tenha um pouco a ver por, ao meu ver, ser a melhor música do álbum.



Follow You
Can You Feel My Heart deram continuidade, seguidas por Antivist.

Vamos fazer uma pequena pausa aqui.
Que vergonha, São Paulo. Vocês pecaram nessa.

Mais uma vez, como em 2011, Oliver pediu um wall of death. E, mais uma vez, o público não entendeu o que isso significava.
Uma circle pit mais ou menos foi aberto no meio da casa, onde nem todos entenderam o conceito de aguardar um determinado ponto da música, e acabaram por fazer uma roda um tanto quanto desengonçada.

A banda mais uma vez agradeceu nossa presença, e deixou o palco; apenas para voltar alguns segundos depois, para o encore de Blessed With A Curse.

O destaque da noite foi, definitivamente, Drown. Que música maravilhosa, havemos de concordar. Que energia incrível, que coisa linda ter visto tanta gente subindo aos ombros um dos outros, de braços abertos, gritando cada lyric. Foi a música em que eu me perdi, me deixei transceder. Não vi a banda, não vi quase ninguém ao lado: éramos apenas eu e aquela multidão gritando cada palavra, de olhos fechados, braços pro ar. Sabe aquilo que vemos no clipe do live na Wembley Arena? Foi exatamente aquilo que aconteceu.



 Em resumo, foi um bom show. E que os fãs me perdoem, mas foi um bom show 60% pelo público e 40% pela banda - que nos apresentou um áudio-visual incrível, com painel interativo às músicas, máquinas de fumaça e afins, porém pouca música ao vivo e muito playback e samplers excessivamente altos, cobrindo o microfone quase que durante todo o tempo.
Mesmo sabendo da condição das cordas vocais do Sykes, eu admito que esperava mais. Tivemos um show incrível em 2011, algo que sempre irei me recordar, e eu realmente acreditei que 2016 seria tão bom quanto - e me enganei.

Tanto pela casa que, precisamos admitir, não tem estrutura para comportar um show daquele tamanho, quanto pelo microfone mal configurado, que estava extremamente baixo, quanto pela energia da banda que, de longe, não estava tão alinhada com a do público. Ouvi muito Jordan, pouco Sykes. Ouvi muito That's The Spirit (Columbia Records, 2015) de estúdio, e pouquíssimo Bring Me The Horizon ao vivo.

Então obrigada a cada um de vocês que suaram naquele lugar extremamente quente, que gritaram cada trecho de cada música, que não permitiram a energia cair por um segundo sequer. Vocês salvaram o show.

Pra quem quiser conferir um pouquinho do que rolou no show de São Paulo, o canal RockNaMochila fez um vídeo com trechos de todas as músicas.



Setlist -
Doomed
Happy Song
Go The Hell, For Heaven's Sake
The House Of Wolves
Chelsea Smile
Throne
Shadow Moses
Sleepwalking
True Friends
Follow You
Can You Feel My Heart
Antivist

Encore:
Blessed With a Curse
Drown
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About May (@deadlycorpse)

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